29/07/2010 23:25:11
 
 

Sentimento de Culpa

Existe dentro de cada ser humano uma "vida" que nós desconhecemos.O nosso inconsciente existe e pode adoecer as pessoas: um dia eu fui levar uma pessoa para ser internada no hospital. Eu tenho problemas de coluna e já fui operado duas vêzes. Nesse dia eu estava tenso, preocupado e fiquei curvado durante mais de quinze minutos preenchendo uma ficha e conversando com a enfermeira.Na hora de sair estava "torto". Sabia que no dia seguinte teria que tomar antinflamatório. Eu estava sem carro, mas havia um táxi parado na porta. O motorista me viu, abriu a porta para eu entrar e disse:- O senhor está com dor nas costas ?- Estou.- O senhor internou alguém no hospital ?- Internei.- Então não se preocupe. Isso é psicológico!O inconsciente existe e pode adoecer uma pessoa como foi dito acima, mas há uma outra afirmação que é muito valiosa e também, verdadeira:

EXISTEM NORMAS DENTRO DE MIM QUE EU NÃO CONHEÇO !!!

ESSAS NORMAS DEIXAM-ME DIVIDIDO SEM QUE EU SAIBA !!!

Isto significa que:

EXISTE UMA CONDENAÇÃO DENTRO DE MIM QUE EU NÃO CONHEÇO.

VIVO COMO SE EU FOSSE UM PAÍS COM LEIS SECRETAS.

POR NÃO CONHECER ESSAS LEIS EU COMETO DELITOS E VOU PRESO, SEM SABER POR QUÊ !!!

O que acontece é que temos um juiz dentro de nós. Ele nos condena e nós não sabemos a razão. A condenação provoca dor. E é a essa dor que damos o nome de SENTIMENTO DE CULPA.A culpa é diferente do arrependimento. Quando eu me arrependo, sei do que estou me arrependendo: é algo consciente.Mas quando eu me culpo, não sei porque me culpo. Só me sinto mal. E como você não sabe qual é o crime que você cometeu, você não se perdoa. Para compensar, então, VOCÊ SE PUNE !!!Então, nós nos sentimos culpados e nos punimos por crimes que não conhecemos, por normas que não nos foram reveladas.Essas normas são inconscientes e por isso imutáveis. Posso mudar a norma consciente de uma lei de trânsito, mas não posso mudar uma norma inconsciente -- a não ser que pela revelação do Espírito Santo ela se torne consciente.Existem, então, decretos inconscientes que proíbem de fazer as coisas, SEM QUE EU SAIBA DISSO. O pior é que esses mesmos decretos proíbem-me de não só fazer as coisas, mas também de sentir desejo de fazer coisas sem que eu saiba disso.

Sinto-me culpado por sentir coisas e, sem saber, condeno-me por isso.


EXEMPLO:

Um menino, filho único de uma família, recebe a notícia que vai ganhar um irmãozinho.A família prepara, então, o campo para que o menino sinta amor pelo irmãozinho: conta para ele que o irmãozinho está na barriga da mamãe e que está crescendo.À noite o menino beija o papai, a mamãe e dá um beijo na barriga da mamãe. No dia em que o bebê nasce, a família compra um presente para o menininho e diz que foi o seu irmãozinho que nasceu que o trouxe.O campo para que o menino amasse o irmãozinho foi preparado. Será que ele vai amar o irmãozinho que chegou ??? A resposta é: SIM !!!Passado um tempo observa-se que o esporte preferido do menininho é FURAR OS OLHOS DO IRMÃOZINHO !!! Por que ele quer que o irmão morra ou fique cego ??? PORQUE ELE PERCEBE QUE ELE FICOU UM POUCO DE LADO:

O bebê mama no peito da mamãe e ele não pode fazer a mesma coisa.

O papai que chegava em casa e se dedicava inteiramente a ele, agora vai correndo para ver o nenê.

Isso faz agora o menino sentir ciúmes, medo e raiva do irmãozinho.

Ele quer furar o olho do irmãozinho e até mesmo que ele morra porque ele sente muito amor pelo bebê, porém ELE SENTE UM PROFUNDO ÓDIO DAQUELA PESSOA QUE VEIO DIVIDIR COM ELE O AFETO DO PAI E DA MÃE.

Se nós soubéssemos lidar com as emoções nós ensinaríamos aos nossos filhos que os dois sentimentos podem aparecer em nós em dado momento. Não podemos furar o olho do irmãozinho, mas amar e ter ódio podem acontecer em determinadas circunstâncias.Como lidamos mal com as emoções, nós começamos a ensinar para o menino que ele NÃO PODE SENTIR ÓDIO, porque o seu irmãozinho vai ser o único amigo que ele vai ter pela vida toda. SE ELE SENTIR ÓDIO, O PAPAI E A MAMÃE NÃO VÃO GOSTAR DELE.O que o menino faz ??? COMEÇA A REPRIMIR A SUA AGRESSIVIDADE. CRIA UMA NORMA DENTRO DELE QUE TER ÓDIO DO IRMÃO É UMA COISA DOENTIA E QUE ISSO É UMA COISA QUE ELE NÃO PODE SENTIR. ASSIM, VAI REPRIMINDO TODO AQUELE ÓDIO.Trinta anos mais tarde o menino, agora um homem, está em São Paulo e recebe a notícia de que o seu irmão sofreu um acidente em Curitiba e quebrou a perna.Ele passa a sentir uma culpa enorme e não sabe por quê ? Porque no fundo ele "FUROU OS OLHOS DO IRMÃOZINHO E FICOU FELIZ".

A COMPENSAÇÃO PARA O SENTIMENTO DE CULPA É A AUTO-PUNIÇÃO. ALGUÉM, POR EXEMPLO, QUE COMPETE COM UM IRMÃO E GANHA NA LOTERIA PODE SE SENTIR CULPADO E SE PUNIR, ENCONTRANDO UM JEITO DE JOGAR O PRÊMIO FORA POR ALGUMA CULPA INCONSCIENTE.

UMA DAS COISAS QUE NÓS PODEMOS FAZER É DESTRUIR UM RELACIONAMENTO COM ALGUÉM QUE A GENTE GOSTA, PORQUE ACHAMOS QUE NÃO MERECEMOS AQUELA PESSOA, DO MESMO MODO QUE NÃO MERECÍAMOS O PRÊMIO DA LOTERIA, POR ISSO O JOGAMOS FORA.

O GRANDE PACOTE DE EXPECTATIVAS: De onde vêm essas normas secretas que comandam a nossa vida e provocam culpa quando as desobedecemos ou desejamos desobedecer ???

Essas normas vêm de um território que nada mais é do que o conjunto das coisas que idealizamos e da censura dos impulsos que não correspondem a ele. São as expectativas que eu tenho a meu respeito e que começo a construir desde a infância.

Qaundo sou criança, aprendo o que é ser um bom filho: o bom filho é aquele que ama o papai, ama a mamãe, é obediente, não diz palavrão, gosta dos irmãozinhos e vai bem na escola. A partir daí, eu crio uma série de expectativas de como devo ser e passo a censurar todo o impulso que não corresponde a essas expectativas.Se as minhas expectativas forem muito altas, eu vou censurar muito mais impulsos. Quanto mais elevadas forem essas expectativas, menos impulsos corresponderão a elas. Assim, haverá uma enorme censura.

O IMPORTANTE É VOCÊ ADEQUAR AS SUAS EXPECTATIVAS DE MODO QUE ELAS NÃO SEJAM TÃO ELEVADAS.

O problema é que quando você se sente rejeitado, você pensa que tem que ser uma pessoa "jóia" para conseguir o afeto dos outros. Essa atitude faz com que você aumente ainda mais as suas expectativas e acabe por censurar cada vez mais os seus impulsos.

Exemplo: se você diz para a criança: "Pega aquele vaso alí, mas toma cuidado que ele é de cristal e custa muito caro. Mamãe ganhou de presente e gosta muito dele".

Na hora em que você diz isso, você aumenta sensacionalmente a chance da criança quebrar o vaso, porque isso induz na situação um fator de ansiedade.

 


 

 

 
 
   
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